A depressão é uma das condições de saúde mental mais prevalentes e debilitantes em todo o mundo, afetando milhões de pessoas de todas as idades e origens étnicas. Esta doença não respeita fronteiras e nem culturas, afeta os seres humanos desde os primórdios mas tem contornos de pandemia mundial neste momento. Neste artigo, trato um pouco as origens da depressão, suas consequências na vida das pessoas, além dos impactos humanos e financeiros que essa doença deixa a cada ano, com base em números estatísticos, pesquisas e citações de autoridades no campo da saúde mental.
Atualmente é consenso que a depressão se apresenta numa condição multifacetada, resultante de uma interação complexa de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais. Estudos recentes sugerem que desequilíbrios químicos no cérebro, histórico familiar de depressão, eventos traumáticos, estresse crônico e problemas de saúde física podem contribuir também para o desenvolvimento e agravamento dos quadros depressivos.
Cercada de uma boa dose de incompreensão, a depressão não apenas causa sintomas emocionais, como tristeza persistente, desesperança e falta de interesse em atividades cotidianas, mas também afeta significativamente o funcionamento diário e a qualidade de vida das pessoas. Pode levar a problemas nas relações interpessoais, dificuldades no trabalho ou na escola, abuso de substâncias, além de aumentar o risco de suicídio. Inúmeros centros de pesquisas no mundo hoje estudam a correlação da depressão ao surgimento de doenças como câncer, diabetes e as denominadas autoimunes.
Somado a isso, a depressão é uma das principais causas de incapacidade para o trabalho em todo o mundo, com um impacto devastador na vida das pessoas afetadas e de seu entorno social e familiar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão se tornou um fator que chama a atenção não só pelas questões humanas, em primeiro lugar é claro, mas também pelas econômicas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgaram no final do ano de 2022 diretrizes globais e estratégias práticas relativas à saúde mental no trabalho e pediram ações concretas em prol da população trabalhadora. Estima-se que atualmente mais de 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido à depressão e ansiedade, custando à economia global quase US$ 1 trilhão.
As diretrizes apontam para o enfrentamento de riscos, como “cargas de trabalho pesadas, comportamentos negativos e outros fatores que criam angústia no trabalho”. Pela primeira vez na história, a OMS recomenda treinamento de gestores, para desenvolver a capacidade de prevenir ambientes de trabalho estressantes e responderem de maneira eficaz a trabalhadores em sofrimento designando atitudes eficazes de enfrentamento da doença e das consequências.
De forma indireta e ainda imensurável, a depressão também gera custos astronômicos econômicos a pessoas, empresas, instituições e governos. Estima-se que a depressão e os distúrbios de saúde mental relacionados custem bilhões de dólares em despesas médicas diretas, perda de produtividade no trabalho, ausências com faltas e atestados, além de outros custos sociais. De acordo com a OMS, mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão. Em um estudo recente o Banco Mundial estimou que a depressão e a ansiedade custam à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade na sua forma direta. Pesquisas recentes também mostram que a depressão afeta pessoas de todas as idades, mas é mais prevalente entre as mulheres e em certos grupos demográficos, como minorias étnicas por exemplo.
Portanto, é crucial que haja um esforço coordenado para aumentar a conscientização, promover a detecção precoce, fornecer tratamento acessível e reduzir o estigma em torno da doença, a fim de melhorar a saúde mental e o bem-estar das pessoas afetadas. A mudança de paradigmas, proposta por vários profissionais de diferentes áreas, acerca da depressão, deve contribuir de forma mais significativa para a evolução das abordagens e desenvolvimento de uma cultura capaz de deter o avanço desenfreado dessa doença.
"O impacto da depressão na saúde e no bem-estar das pessoas é profundo e preocupante." - Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS.
"É crucial investir em prevenção, tratamento e apoio para aqueles que sofrem de depressão, não apenas por razões humanitárias, mas também por motivos econômicos." - Kristalina Georgieva, Diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI).